
Pela primeira vez na história, há mais crianças e jovens obesos do que desnutridos no mundo. Os dados são de um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado no mês passado. No Brasil, infelizmente, essa já é uma realidade há algumas décadas, o que reforça a percepção da obesidade infantil como um problema de saúde pública, cujo tratamento deve ser disponibilizado de forma ampla nas unidades do SUS.
Na Policlínica Universitária Piquet Carneiro (PPC/Uerj), o “Projeto Apoio – Ambulatório de Pesquisa em Obesidade Infantil”, da Faculdade de Ciências Médicas, possui caráter multidisciplinar e comporta os eixos de assistência, ensino, pesquisa e extensão. O público-alvo é formado por crianças de dois a 12 anos e seus familiares, e a equipe inclui graduandos e pós-graduandos da área da saúde, psicologia e educação física. Em consultas mensais, profissionais e alunos traçam e monitoram um plano de tratamento individualizado, com o objetivo de estimular bons hábitos. Além disso, coletam dados que servem de alicerce às atividades de pesquisa. Assim, o trabalho contribui para a saúde infantil à medida que promove o aprendizado e gera conhecimento sobre a obesidade.
A proposta interdisciplinar é concretizada pela atuação de profissionais da medicina, endocrinologia, nutrição, educação física e psicologia. Eles compreendem a influência da cultura familiar e comunitária no estilo de vida e nas escolhas diárias do indivíduo. Por esse motivo, lançam um olhar holístico sobre a criança, de modo a entender os mais variados fatores de rotina que podem favorecer o desenvolvimento da obesidade.
Num mundo hiperconectado, o uso excessivo de telas desponta como uma das principais razões. Diminuí-lo é uma prioridade, “uma vez que prejudica o desenvolvimento cognitivo, emocional e psicológico da criança, por ser uma atividade viciante e neurotizante”, aponta a educadora física da equipe, Elizabeth Machado. O consumo exagerado de eletrônicos pode acarretar prejuízos diversos, como na escola e nas habilidades sociais.
No que é relativo à formação profissional, as consultas são realizadas por estudantes de graduação e pós (incluindo residentes), o que lhes permite adquirir experiência e um repertório de conhecimentos práticos. Da parte de pesquisa, o ambulatório desenvolve trabalhos de relevância, com temas como risco aumentado para doenças cardiovasculares, composição hormonal, metabólica e nutricional da obesidade na infância e crononutrição (análise das alterações provocadas no organismo pelo horário em que a refeição é feita).
Por fim, a frente de extensão busca ainda promover o diálogo com pacientes e familiares por meio de atividades de educação em saúde lúdicas e interativas, que priorizem a linguagem acessível.
O acesso ao “Ambulatório de Pesquisa em Obesidade Infantil” ocorre por meio do encaminhamento de outras unidades da Policlínica e do Hospital Universitário Pedro Ernesto.
Ligado ao Serviço de Endocrinologia, o ambulatório funciona às terças e quartas-feiras, das 13h às 17h, no subsolo, e pode ser contatado pelo número 2566-7343 (apenas para ligação).
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